domingo, outubro 24, 2021

MIONDA

      Uma das mais belas criaturas é o ser humano capaz de transformar, perceber as mudanças, sentir as necessidades e compreender o caos  nos gestos mais simples e ao tempo mesmo participando dele. O ser humano ama e odeia, transforma o viver em agir em um passe de mágica. As vezes se cala, fala demais quando doi, mas sempre caminhando tentando compreender a vida em sua plenitude. Os julgamentos, medos, confusões, questionamentos e os pensamentos que fervilham na mente, faz parte de uma vida agitada. De uma busca desenfreada pelo certo, pela aceitação, pelas adequações entre o bem o mal, definido por aqueles que se julgam capazes de administrar a sociedade em todos os seus setores.  Mionda, nasceu em uma familia feliz, muito religiosa, simples e sem nenhuma mordomia, vivia um dia após o outro, sobrevivia do seu trabalho diario. Foi a filha de um casal  simples, porém muito honrado, viviam no interior das Minas Gerais, a primeira filha de oito irmãos. Morava em um casebre feito de barro e madeira, conhecido como pau a pique. Todos os seus parentes moram por ali, perto em uma terra em que seus antepassados foram introduzidos sabe-se lá quando, para trabalhar nos cafezais e nas fazendas dos senhores. O tempo foi passando e apesar da humanidade ter evoluído, ali na pequena comunidade de Teixeiras, tudo parecia igual como era nos últimos cinquenta anos, já estavamos na década de 1980, o mundo começa a fervilhar com as mudanças nos governos inclusive no Brasil já buscava a saída da ditadura militar. O rádio a pilha, um daqueles rádios grandes, que era alimentado com seis pilhas, era a ligação com o mundo lá fora, por ele ficavam sabendo das notícias e ouviam as músicas, sucessos das duplas sertanejas e caipiras que estouram naquela epoca. O dia começava cedo com o cheiro do cafezinho gostoso e com a fumaça do fogão a lenha. No rádio o Zé Betio já gritava que o dia já havia começado. A mandioca bem cosida com açúcar e o café quentinho era a primeira refeição daquele dia. A meninada já levantava e o pai José Jeronimo já tinha saído para a lida. Mainha, gritava para que se lavassem na bica de agua gelada, que ficava bem na porta da cozinha. O sol já começava a aparecer no horizonte, era hora de pegar estrada com irmãos para seguir umas boas léguas até a escolinha mais proxima onde a professora vinda da cidade, certamente aguardava os alunos com aquele sorriso gostoso e com as novidades entre o abc e os desenhos multiplicados naquela máquina que cheirava alcool.  ( Continua ).

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